Especialista analisa sistema de produção pecuária da África do Sul e na Austrália.

Goiânia 16 de setembro de 2008 – Na segunda parte do painel sobre sistemas de produção custos e potencial, a pesquisadora australiana Winifred Mary Perkins, analista da indústria da carne bovina da Pro And Associates Austrália Pty Ltd. fez uma análise bastante realista sobre os sistemas de produção da pecuária de corte na África do Sul e Austrália, países que, apesar de vivenciarem uma condição bastante próxima da brasileira no clima em grande parte da suas regiões, mantêm sistemas de produção pecuária distintos do adotado no Brasil.

Com uma população de consumo próxima de 44 milhões de habitantes, a África do Sul se encontra ainda em processo de reestruturação política e econômica pós-apartheid, fato esse que se reflete na realidade do mercado local de consumo, ou seja, aos poucos os sul-africanos vão retomando sua condição de consumidor ativo de gêneros alimentícios.

Com um rebanho aproximado de 13,9 milhões de cabeças de gado, sendo 420 mil em confinamento, a África do Sul mantém uma pecuária de baixo aporte de tecnológico em muitos pontos bastante aquém dos países que possuem sistemas de pecuária de corte mais desenvolvidos, caso do Brasil.

Segundo a pesquisadora, não existe um sistema organizado de coleta de dados e os números são baseados em estimativa de produção. Estima-se que 40% do gado está ligado a pecuária colonial praticada por nativos e o modelo de pecuária desenvolvido privilegia uma produção de carne com gordura escassa, bastante consistência e musculosidade.

Apesar das condições precárias de produção por conta da falta de chuva em boa parte do ano a Austrália vive uma situação bem diferente em termos de produção pecuária. Com um rebanho de 27 milhões de cabeças de gado o país mantém uma pecuária de alto nível tecnológico, situação que só é possível graças ao gerenciamento cauteloso de todas as ações. A expectativa do país é atingir 29,5 milhões de cabeças o que colocaria os australianos muito próximos da sua melhor condição histórica, em 1976, quando o rebanho australiano era de 34 milhões de cabeças.

Atualmente o principal centro de produção está localizado na cidade de Queensland que concentra perto de 11,7 milhões de cabeças. A rastreabilidade é uma realidade bastante presente nas fazendas australianas, exigência adotada por força de lei, com forte resistência dos pecuaristas, mas que coloca o país no grupo dos grandes exportadores mundiais de carne bovina.

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