Festa na Irlanda II - Eles ganharam, mas nós continuamos na
primeira divisão.

Abaixo copio duas notas retiradas da Internet. Especificamente de dois sites muito lidos por pecuaristas brasileiros (beefpoint) e irlandeses (farmersjournal). As duas notas dão bem a medida das expectativas de cada lada com relação às medidas anunciadas ontem pela U E com relação as importações de carne do Brasil.

Os brasileiros esperavam por algo muito ruim, o que veio vai dar trabalho, mas deixa uma porta aberta e permite que as importações sejam mantidas. Por outro lado à restrição da originação de gado para Europa a cerca de 300 fazendas colocou os Irlandês em festa, apostando em uma queda de 90% nas exportações do Brasil para a Europa. Pelo jeito eles ganharam a medalha de ouro e nós saímos felizes em continuar na primeira divisão, já que ganhar era impossível mesmo.

Provavelmente o pessoal da ABIEC crê num cenário parecido com o que aconteceu depois de out 2005, quando os Europeus desabilitaram quase todo o Brasil, mantendo apenas RG, GO e parte de MT e MG. Os volumes não caíram, pelo contrario cresceram. A industria Brasileira sempre alegou dinamismo e capacidade de reação, relocando seu sourcing dentro do pais, de MS e SP para MT e GO. Os europeus nunca engoliram isso.

Agora a restrição será mais severa, se a lista ficar mesmo com somente 300 fazendas elas terão que produzir muito, muito mesmo. Serão 300 propriedades para atender um mercado de 300 mil ton eq carcaça!

Os europeus apostam que será impossível.

Mas quantos bois são 300 mil ton equivalente carcaça? Com uma eficiência de desossa de 75% e supondo uma exportação de 50kg de cada carcaça chegamos a 4,5 MM de cabeças. Isso é 10% do abate nacional! Mas também é igual a 300 fazendas com abate de 15 mil cabeças ano.

A capacidade de reação das grandes fazendas brasileiras (mega confinamentos associados a grandes esquemas de recria) pode surpreender.

Resumo: confirmando-se uma visão mais otimista, a decisão da U E pode ser muito favorável a concentração do abate de exportação Europa, colocando mais luz sobre os grandes projetos de confinamento e engorda.

Provavelmente os frigoríficos vão priorizar ainda mais posições de confinamento próprias, paralelamente as parcerias com confinadores organizados podem ganhar muito valor em 2008.

 

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