Interconf promove encontro inédito entre pecuaristas e lideranças da indústria frigorífica nacional

Os lideres dos frigoríficos Minerva, Friboi, Bertin e Mata Boi estiveram reunidos na tarde desta quarta-feira (16), no plenário da 2ª Conferência Internacional de Confinadores (Interconf), em Goiânia (GO), para a realização daquele que é considerado o encontro mais aguardado dos últimos tempos para o setor de pecuária de corte brasileiro.

Na ocasião o gerente operacional do Frigorífico Minerva, Fernando Galleti de Queiroz, disse que o Brasil é um dos poucos países com potencial para expandir sua produção voltada ao mercado externo. “Os países do Hemisfério Norte estão com uma série de limitações e o setor produtivo brasileiro, líder na exportação desde 2003 é o único capaz de atender ao mercado internacional com preço competitivo”.

Diante desse cenário, o gerente operacional do Frigorífico Mata Boi, Murilo Lemos Dorazio, acredita que a produção nacional só tem a ganhar se o relacionamento entre ambos os setores estreitarem-se e se tornarem o mais próximo possível. "Como o frigorífico tem o seu próprio confinamento, ele tem a possibilidade também de oferecer parcerias com produtores", comenta.

Já para Cristiano Botelho, representante do Frigorífico Bertin, o relacionamento entre as partes tem de estar voltado para o "ganha-ganha", estabelecendo uma comunicação adequada em termos de nutrição e sanidade, por meio de contratos que tragam um custo diferenciado para o produtor. Ele considerou ainda, a relação existente hoje entre as indústrias e as redes de varejo. "Infelizmente, hoje o momento é complicado, com grande pressão por conta da queda nas exportações. O varejo hoje coloca uma margem de pelo menos 50% sobre o preço da carne vendida pelo frigorífico", sinaliza.

Contribuindo também para a discussão, o presidente do conselho do grupo JBS nos Estados Unidos, José Batista Júnior, chamou a atenção sobre a importância de melhorar o relacionamento entre a indústria e os produtores, o que ajudará a agregar valor ao produto, sem que haja a necessidade de exploração de um contingente ainda maior de terras. "Temos capacidade de confinar todo o rebanho em 47 milhões de hectares, aumentando a produtividade e liberando terras para o cultivo agrícola", resume.

Novos horizontes – José Batista Júnior aproveitou ainda o evento para propor alternativas para o desenvolvimento da pecuária no norte do Brasil. O caminho natural, segundo ele, é o diálogo com os governos estadual e federal visando uma maior produção. "Devemos aproveitar o potencial de escoamento via oceano Atlântico para os países próximos, mas sem descuidar da sustentabilidade", analisa.

O diretor operacional do Frigorífico Mata Boi, entende que o País tem tudo para expandir seus confinamentos, agregando valor para o produto e para a terra. "Diferente de outros mercados, temos disponibilidade de grãos e clima favorável, para ampliarmos a capacidade de confinamentos, que hoje representa apenas 8% das cerca de 40 milhões de cabeças abatidas anualmente", comenta.

A mesa redonda que tratou sobre a atual situação da agroindústria frigorífica brasileira lotou todas as dependências do espaço de eventos Oliveira’s Place e foi mediada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. Na opinião do diretor executivo da Assocon, Juan Lebrón, o encontro pode considerado um marco para o setor de pecuária de corte nacional já que não existe paralelo na história do setor.

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